De olhos vermelhos à mente branquinha.

Estou com conjuntivite. Bacana! Não.

Se por tendências naturais ou escárnio que ecoa do fundo da minha consciência, tudo o que eu consigo fazer são paralelos.

Quando com apenas um olho irritado, eu era Ciclope. Hoje, com os dois tô mais pra Black Swan. Não sei se Natalie Portman curtiria isso, mas creio que é o que me faz agüentar essa agonia de parecer um personagem de True Blood com a sensualidade elevada a enésima potência negativa.

Afastado do trabalho e com a recém chegada notícia de que minha aulas foram suspensas essa semana devido a obra de um novo edifício megalomaníaco estar afetando as estruturas do prédio em que estudo, tenho tomado todo o ocorrido como sinais para uma instrospecção necessária. Talvez agravada pela sensação de que muito mudará a partir da próxima segunda, mas não com aspecto de começo de regime pós almoço dominical.

Queria falar de minhas aspirações, meus talentos mais intrínsecos e dos martírios diários, mas repudia-me falar de dor, admitir que tenho ego e expor-me como sonhador. Aliás, pudera ausentar o “eu” de todos os meus textos, mas já citei introspecção e fadei meu texto à quebra de minhas próprias regras. Me resta aventurar-me pelo meu humanismo mais confessamente falho e vencedor por, como inflamação não ocular, chegar à flor da pele.

Tenho imaginado outro ofício diário, no qual não me destine à mendicância nem à soberba, que não ludibrie, desenvolva uma segunda consciência, personagem ou ausência de realidade. Nada também tão concreto, ríspido e binário no qual, pouco à pouco, esqueça do conceito, do intangível e da utopia.

Liquidifico os toques pungidos do piano que transcendem todas as etapas racionais do “gostar”, as retas concretas que paralelam as quimeras do meu entender, a forte vibração de vozes solas ou em coro, o raso equilíbrio ufanizado das cores e formatos e divido pela insana vontade de tornar minha mente mais vasta que Alexandria.

Ego e ostracismo degladeiam-se na compreensão do infinito em mim, como em todos os seres da existência. Resta-me aprender a planejar meu coração. Falta-me lirismo. Ou o tenho em excesso omitido. Estou banhado em imprevisões, confuso pela vivência desse pequena dor que nas tragadas de sobriedade e controle me fazem colocar em jubilo diminuto a expressão “horóscopo pra quê?”.

Visionário, onde está você?

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Damn you Gaga!

Se depender do ocorrido dessa semana o ser antropozoomórfico do momento não ganha um tostão! Aquela sibarita me viciou em Again Again (subentenda embalado em piano) e tirou um mp3 player da face terrena! Explico.

O Nokia trabalhava em repeat track incessamente há no mínimo 3 horas entre uma pausa e outra do “cheguei, tô saindo” da minha casa pra casa dela (ela é “ela”, não a Gaga, perceba). Numa das ruas escuras da zona sul, esperando a modesta condução pra retornar ao igualmente, ou mais, modesto lar a revolucionária tela de cristal líquida ficou preta. Acesa, mas preta. E assim está há dias.

Sem “tia gagá”, sem comunicação móvel e tão livre quanto bumbum de bebê. Não recorrer ao “que horas são” a todo momento tem lá suas vantagens quando se tem relógios no canteiro central (maior nomenclatura paradoxal existente). Se a referência cronológica não é perdida, “o qualquer clima a qualquer hora” foi-se, sem aparente volta, pelo menos não no mesmo corpo.

Afinal, pra que arrumar um celular com tela quebrada, pixels mortos e software relapso quando se pode (finalmente) pressionar-se a comprar o 5530 e/ou o tão cobiçado Ipod Classic? Pra isso, um trabalho novo a altura e um lineup menos caótico pra próxima vez. Musical e da vida.

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Can’t touch this CD.

Tenho que admitir: estou gostando do CD da Lady Gaga. E tenho que admitir algo pior: tenho pensado em comprá-lo (esse trecho se lido em 97 não faria o menor sentido, creio). Sabe-se lá se por remorso por não ter comprado o CD do Pizzicato Five (banda conceito japonesa conhecida mundialmente e com CD’s internacionalmente caros ok?) quando custava menos que uma basic t-shirt numa fast fashion qualquer, ou se incentivado por tal vontade.

É. Não sei. Mas me peguei pensando na quantidade de acontecimentos ou vontades que se tem e não se fala. Explane desde vestir a camisa rosa na entrevista à excitação com bondage (é, acho horny).

E pior (again and again): qual a razão de omitir tal vontade? Bom, eu teria vergonha de admitir que gostei do CD de uma mulher que se fantasia de calopsita mentruada. Mas talvez se lembrasse disso. Saber que ela toca piano desde os 4 (piano me conquista, pronto, falei) e que com 17 anos ela se tornou uma dos 20 estudantes no mundo a conseguir admissão adiantada para a Tisch School Of The Arts em New York (nem sei o que é, mas você também tem last.fm e não sai pesquisando biografia e instituição de ensino alheia) torna-se motivo pra achar que não é só chiclete ruim como “Gimme More”.

Aonde está a vergonha e no que se embasa tal? A minha, em vazio. Mas diga-me, desde quando você sofre desse mal?

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A grama do vizinho não é mais verde.

Deveriam ser quase 11:00 da manhã quando Marcos (docente dotado de uma dialética e um poder de argumentação incrível) levantou-se da cadeirinha (devo dizer banquinho?) que não faz (pq ainda existe, assim creio) justo ao tamanho de suas pernas, mas talvez de seus arqueados ombros, que provavelmente são maiores do que aparentam.
Ao término da explicação sintetizada sobre cores, por mim já assistida à exaustão há menos de seis meses numa lição não tão animadora quanto a dele, arrumou a coluna como pôde dentro de sua já acomodada postura. O professor de dentes grandes e expressões grandiloqüentes anunciou o intervalo. Eu, ainda que com fome após um café pouco digno se comparado aos tantos outros da rotina diária, não prestei atenção em nada sobre contraste ou complementação de cores. Atentamente observei apenas as folhas secas caírem suavemente naquele cenário destoante da forma do caucasiano. Disse-me inesperadamente até pra mim, “como eu tenho sorte”.
Não, não me apaixonei pelo caucasiano de dentes fortes e ombros arqueados. Mas sim pela imagem que ainda harmonizaria com o resto das horas que se seguiriam.
Quantas pessoas poderiam reservar parte de sua manhã pra assistir aulas ao ar livre no Parque do Ibirapuera numa manhã tão bonita quanto aquela e, provavelmente, tipicamente estressante do lado de fora da bolha verde (pra não dizer quente)?
A volta pra casa em busca da refeição durante o sol a pino foi totalmente abortada diante de um convite daquela amiga deveras viajada (“voltei da Itália just now hunny”) pra comer uma pasta al sugo na Vila Nova Conceição, ali do lado do parque.
O desfile de corpos esculturais, alternados anteriormente com banhas abastadas (de grana) e envoltas do laranja bronze artificial dentro do parque, sofreu um leve (ironia) upgrade com os gomos acertados dos abs de uns e do violão (definitivamente não “miquelangelanos”) de outras assim que adentramos o bairro hit dos endinheirados da cidade.
Uma proposta de trabalho ali, uma iguaria sulista, outra mineira aqui, o retorno à casinha gelada perto dos portões 3, 4 e 5 da mancha verde paulistana (porco de cu é rola) foi inevitável. Um telefonema àquele amigo com quem você está “brigadinho” pra saber se as coisas que não iam bem estavam melhorando, como bem esperava, foi necessário. Um flashback e uma reconstituição dos fatos ornada por outras cascas perfeitas (“mas ainda ocas” penso e não me julgue por tal) na rua habitada por “aqueles que já estão lá” segundo seu wishlist o levam à aula de Paisagismo Contemporâneo, explanada entusiasticamente, mas absorvida já não da mesma forma.
Uma leve e agradável caminhada em meio ao nublado do horário de verão em vigor conduz à reafirmação de um dia ainda bonito, acompanhado de pitadas de apoio e empatia no sobrado reformado no bairro da Saúde. Aditivados por um cafézinho, claro.
Na brisa fresca das oito da noite me pergunto: pra que me ater a reconstituição dos fatos? Minha grama é mais verde que isso. Que venham as novas páginas.

Deveriam ser quase 11:00 da manhã quando Marcos (docente dotado de uma dialética e um poder de argumentação incrível) levantou-se da cadeirinha (devo dizer banquinho?) que não faz (pq ainda existe, assim creio) jus ao tamanho de suas pernas, mas talvez de seus arqueados ombros, que provavelmente são maiores do que aparentam.

Ao término da explicação sintetizada sobre cores, por mim já assistida à exaustão há menos de seis meses numa lição não tão animadora quanto a dele, arrumou a coluna como pôde dentro de sua já acomodada postura. O professor de dentes grandes e expressões grandiloqüentes anunciou o intervalo. Eu, ainda com fome após um café pouco digno se comparado aos tantos outros da rotina diária, não prestei atenção em nada sobre contraste ou complementação de cores. Atentamente observei apenas as folhas secas caírem suavemente naquele cenário destoante da forma do caucasiano. Disse-me inesperadamente até pra mim, “como eu tenho sorte”.

Não, não me apaixonei pelo caucasiano de dentes fortes e ombros arqueados. Mas sim pela imagem que ainda harmonizaria com o resto das horas que se seguiriam.

Quantas pessoas poderiam reservar parte de seu dia pra assistir aulas ao ar livre no Parque do Ibirapuera numa manhã tão bonita quanto aquela e, provavelmente, tipicamente estressante do lado de fora da bolha verde (pra não dizer quente)?

A volta pra casa em busca da refeição durante o sol a pino foi totalmente abortada diante de um convite daquela amiga deveras viajada (“voltei da Itália just now hunny“) pra comer uma pasta al sugo na Vila Nova Conceição, ali do lado do parque.

O desfile de corpos esculturais, alternados anteriormente com banhas abastadas (de grana) e envoltas do laranja bronze artificial dentro do parque, sofreu um leve (ironia) upgrade com os gomos acertados dos abs de uns e do violão (definitivamente não “miquelangelanos”) de outras assim que adentramos o bairro hit dos endinheirados da cidade.

Uma proposta de trabalho ali, uma iguaria sulista, outra mineira aqui, o retorno à casinha gelada perto dos portões 3, 4 e 5 da mancha verde paulistana (porco de cu é rola) foi inevitável. Um telefonema àquele amigo com quem você está “brigadinho” pra saber se as coisas que não iam bem estavam melhorando, como bem esperava, foi necessário. Um flashback e uma reconstituição dos fatos ornada por outras cascas perfeitas (“mas ainda ocas” penso e não me julgue por tal) na rua habitada por “aqueles que já estão lá” segundo seu wishlist o levam à aula de Paisagismo Contemporâneo, explanada entusiasticamente, mas absorvida já não da mesma forma.

Uma leve e agradável caminhada em meio ao nublado do horário de verão em vigor conduz à reafirmação de um dia ainda bonito, acompanhado de pitadas de apoio e empatia no sobrado reformado no bairro da Saúde. Aditivados por um cafézinho, claro.

Na brisa fresca das oito da noite me pergunto: pra que me ater a reconstituição dos fatos? Minha grama é mais verde que isso. Que venham as novas páginas.

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