Deveriam ser quase 11:00 da manhã quando Marcos (docente dotado de uma dialética e um poder de argumentação incrível) levantou-se da cadeirinha (devo dizer banquinho?) que não faz (pq ainda existe, assim creio) justo ao tamanho de suas pernas, mas talvez de seus arqueados ombros, que provavelmente são maiores do que aparentam.
Ao término da explicação sintetizada sobre cores, por mim já assistida à exaustão há menos de seis meses numa lição não tão animadora quanto a dele, arrumou a coluna como pôde dentro de sua já acomodada postura. O professor de dentes grandes e expressões grandiloqüentes anunciou o intervalo. Eu, ainda que com fome após um café pouco digno se comparado aos tantos outros da rotina diária, não prestei atenção em nada sobre contraste ou complementação de cores. Atentamente observei apenas as folhas secas caírem suavemente naquele cenário destoante da forma do caucasiano. Disse-me inesperadamente até pra mim, “como eu tenho sorte”.
Não, não me apaixonei pelo caucasiano de dentes fortes e ombros arqueados. Mas sim pela imagem que ainda harmonizaria com o resto das horas que se seguiriam.
Quantas pessoas poderiam reservar parte de sua manhã pra assistir aulas ao ar livre no Parque do Ibirapuera numa manhã tão bonita quanto aquela e, provavelmente, tipicamente estressante do lado de fora da bolha verde (pra não dizer quente)?
A volta pra casa em busca da refeição durante o sol a pino foi totalmente abortada diante de um convite daquela amiga deveras viajada (“voltei da Itália just now hunny”) pra comer uma pasta al sugo na Vila Nova Conceição, ali do lado do parque.
O desfile de corpos esculturais, alternados anteriormente com banhas abastadas (de grana) e envoltas do laranja bronze artificial dentro do parque, sofreu um leve (ironia) upgrade com os gomos acertados dos abs de uns e do violão (definitivamente não “miquelangelanos”) de outras assim que adentramos o bairro hit dos endinheirados da cidade.
Uma proposta de trabalho ali, uma iguaria sulista, outra mineira aqui, o retorno à casinha gelada perto dos portões 3, 4 e 5 da mancha verde paulistana (porco de cu é rola) foi inevitável. Um telefonema àquele amigo com quem você está “brigadinho” pra saber se as coisas que não iam bem estavam melhorando, como bem esperava, foi necessário. Um flashback e uma reconstituição dos fatos ornada por outras cascas perfeitas (“mas ainda ocas” penso e não me julgue por tal) na rua habitada por “aqueles que já estão lá” segundo seu wishlist o levam à aula de Paisagismo Contemporâneo, explanada entusiasticamente, mas absorvida já não da mesma forma.
Uma leve e agradável caminhada em meio ao nublado do horário de verão em vigor conduz à reafirmação de um dia ainda bonito, acompanhado de pitadas de apoio e empatia no sobrado reformado no bairro da Saúde. Aditivados por um cafézinho, claro.
Na brisa fresca das oito da noite me pergunto: pra que me ater a reconstituição dos fatos? Minha grama é mais verde que isso. Que venham as novas páginas.
Deveriam ser quase 11:00 da manhã quando Marcos (docente dotado de uma dialética e um poder de argumentação incrível) levantou-se da cadeirinha (devo dizer banquinho?) que não faz (pq ainda existe, assim creio) jus ao tamanho de suas pernas, mas talvez de seus arqueados ombros, que provavelmente são maiores do que aparentam.
Ao término da explicação sintetizada sobre cores, por mim já assistida à exaustão há menos de seis meses numa lição não tão animadora quanto a dele, arrumou a coluna como pôde dentro de sua já acomodada postura. O professor de dentes grandes e expressões grandiloqüentes anunciou o intervalo. Eu, ainda com fome após um café pouco digno se comparado aos tantos outros da rotina diária, não prestei atenção em nada sobre contraste ou complementação de cores. Atentamente observei apenas as folhas secas caírem suavemente naquele cenário destoante da forma do caucasiano. Disse-me inesperadamente até pra mim, “como eu tenho sorte”.
Não, não me apaixonei pelo caucasiano de dentes fortes e ombros arqueados. Mas sim pela imagem que ainda harmonizaria com o resto das horas que se seguiriam.
Quantas pessoas poderiam reservar parte de seu dia pra assistir aulas ao ar livre no Parque do Ibirapuera numa manhã tão bonita quanto aquela e, provavelmente, tipicamente estressante do lado de fora da bolha verde (pra não dizer quente)?
A volta pra casa em busca da refeição durante o sol a pino foi totalmente abortada diante de um convite daquela amiga deveras viajada (“voltei da Itália just now hunny“) pra comer uma pasta al sugo na Vila Nova Conceição, ali do lado do parque.
O desfile de corpos esculturais, alternados anteriormente com banhas abastadas (de grana) e envoltas do laranja bronze artificial dentro do parque, sofreu um leve (ironia) upgrade com os gomos acertados dos abs de uns e do violão (definitivamente não “miquelangelanos”) de outras assim que adentramos o bairro hit dos endinheirados da cidade.
Uma proposta de trabalho ali, uma iguaria sulista, outra mineira aqui, o retorno à casinha gelada perto dos portões 3, 4 e 5 da mancha verde paulistana (porco de cu é rola) foi inevitável. Um telefonema àquele amigo com quem você está “brigadinho” pra saber se as coisas que não iam bem estavam melhorando, como bem esperava, foi necessário. Um flashback e uma reconstituição dos fatos ornada por outras cascas perfeitas (“mas ainda ocas” penso e não me julgue por tal) na rua habitada por “aqueles que já estão lá” segundo seu wishlist o levam à aula de Paisagismo Contemporâneo, explanada entusiasticamente, mas absorvida já não da mesma forma.
Uma leve e agradável caminhada em meio ao nublado do horário de verão em vigor conduz à reafirmação de um dia ainda bonito, acompanhado de pitadas de apoio e empatia no sobrado reformado no bairro da Saúde. Aditivados por um cafézinho, claro.
Na brisa fresca das oito da noite me pergunto: pra que me ater a reconstituição dos fatos? Minha grama é mais verde que isso. Que venham as novas páginas.